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Não há mais sublime sedução do que saber esperar alguém. Compor o corpo, os objectos em sua função, sejam eles A boca, os olhos, ou os lábios. Treinar-se a respirar Florescentemente. Sorrir pelo ângulo da malícia. Aspergir de solução libidinal os corredores e a porta. Velar as janelas com um suspiro próprio. Conceder Às cortinas o dom de sombrear. Pegar então num Objecto contundente e amaciá-lo com a cor. Rasgar Num livro uma página estrategicamente aberta. Entregar-se a espaços vacilantes. Ficar na dureza Firme. Conter. Arrancar ao meu sexo de ler a palavra Que te quer. Soprá-la para dentro de ti ------------------- ----------------------------- até que a dor alegre recomece. maria gabriela llansol
Dá pra ver a especificidade de cada pessoa em cor e luz. E cada relacionamento entre duas pessoas tem a sua  própria mistura  e especificidade de cores. E quanto mais as duas pessoas se conhecerem mais ricas serão as cores desta conexão. Ainda, em cada relacionamento há  as propriedades de sabor e cheiro oriundas do órgão chamado pele. Que envia tais informações para o cérebro e de lá compõem o corpo de cor e luz. Foi numa mistura de dor, medo e coragem. Não queria olhar nos olhos. dava pra ver no céu jorros de fogo, dor raios e relâmpagos, medo espocavam lentamente.. viu de longe o círculo de pessoas e A Pessoa lá dentro. a noite clareava já não sentia mais as pernas. veio o vermelho púrpura em seu peito, coragem entrou no círculo, safira e azul água. olhou. caiu de joelhos chorando foi envolto por um facho de luz violeta vindo direto do céu que o fez chorar ainda mais, jorro de vermelho rubi, choro e perdão. magenta e violeta, abraço. cura. tudo...
não, não é por vaidade dói durante toda a madrugada pinçando as letras, juntando as palavras sendo vil comigo mesma, piorando tudo com medo de não conseguir, com medo de ser tudo tolice, e é tudo tolice, tudo por essa estúpida carência de querer ser ser aquilo que disse que seria atrás dos elogios que não vieram quando ainda era tempo Fernanda Young in Aritmética
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Lá bem no alto do décimo segundo andar do ano vive uma louca chamada esperança e ela pensa que quando todas as sirenes todas as buzinas todos os reco-recos tocarem atira-se E -- ó delicioso vôo!

Dobrada à moda do Porto

Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo, Serviram-me o amor como dobrada fria. Disse delicadamente ao missionário da cozinha Que a preferia quente, Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria. Impacientaram-se comigo. Nunca se pode ter razão, nem num restaurante. Não comi, não pedi outra coisa, paguei a conta, E vim passear para toda a rua. Quem sabe o que isto quer dizer? Eu não sei, e foi comigo... (Sei muito bem que na infância de toda a gente houve um jardim Particular ou público, ou do vizinho. Sei muito bem que brincarmos era o dono dele. E que a tristeza é de hoje). Sei isso muitas vezes, Mas, se eu pedi amor, porque é que me trouxeram Dobrada à moda do Porto fria? Não é prato que se possa comer frio. Não me queixei, mas estava frio, Nunca se pode comer frio, mas veio frio. Fernando Pessoa

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Escrito assim, num blog, fica com ar de coisa importante, coisa pensada. E nem precisa ser. Quando você não consegue mudar alguma situação, não deixe de checar se não pode aceitá-la simplesmente, ou vê-la por um outro ângulo. Ou seja, no inferno se abraça o capeta. Irreverência e cara-de pau são habilidades fundamentais para sobrevivência. É bom exercitá-las. Tudo é meio de vida. Quem não é visto não é lembrado.
____________ Estas árvores balouçam na sua hesitação Mas prosseguem. Os ramos mais altos precipitam-se, Abrem no ar pousadas. Os mais baixos ocupam. Sol não Falta. Há apenas a curva do caminho com incidências Drásticas na sua respiração. Sim, há ainda as concorrentes, As sementes ininterruptas, e o incompreensível desprezo Dos humanos. Parasceve não diz. Se o cortarem, não Reagirá. «Por que não entendeis a leveza de prosseguir?» maria gabriela llansol