não, não é por vaidade dói durante toda a madrugada pinçando as letras, juntando as palavras sendo vil comigo mesma, piorando tudo com medo de não conseguir, com medo de ser tudo tolice, e é tudo tolice, tudo por essa estúpida carência de querer ser ser aquilo que disse que seria atrás dos elogios que não vieram quando ainda era tempo Fernanda Young in Aritmética
Postagens
Mostrando postagens de 2013
Dobrada à moda do Porto
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo, Serviram-me o amor como dobrada fria. Disse delicadamente ao missionário da cozinha Que a preferia quente, Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria. Impacientaram-se comigo. Nunca se pode ter razão, nem num restaurante. Não comi, não pedi outra coisa, paguei a conta, E vim passear para toda a rua. Quem sabe o que isto quer dizer? Eu não sei, e foi comigo... (Sei muito bem que na infância de toda a gente houve um jardim Particular ou público, ou do vizinho. Sei muito bem que brincarmos era o dono dele. E que a tristeza é de hoje). Sei isso muitas vezes, Mas, se eu pedi amor, porque é que me trouxeram Dobrada à moda do Porto fria? Não é prato que se possa comer frio. Não me queixei, mas estava frio, Nunca se pode comer frio, mas veio frio. Fernando Pessoa
Argumentos
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Escrito assim, num blog, fica com ar de coisa importante, coisa pensada. E nem precisa ser. Quando você não consegue mudar alguma situação, não deixe de checar se não pode aceitá-la simplesmente, ou vê-la por um outro ângulo. Ou seja, no inferno se abraça o capeta. Irreverência e cara-de pau são habilidades fundamentais para sobrevivência. É bom exercitá-las. Tudo é meio de vida. Quem não é visto não é lembrado.
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
____________ Estas árvores balouçam na sua hesitação Mas prosseguem. Os ramos mais altos precipitam-se, Abrem no ar pousadas. Os mais baixos ocupam. Sol não Falta. Há apenas a curva do caminho com incidências Drásticas na sua respiração. Sim, há ainda as concorrentes, As sementes ininterruptas, e o incompreensível desprezo Dos humanos. Parasceve não diz. Se o cortarem, não Reagirá. «Por que não entendeis a leveza de prosseguir?» maria gabriela llansol
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Texto para a revista ROTEIRO MS, em dezembro de 2011. Minha Índia pessoal Mochila nas costas, livro guia, muita curiosidade e, claro, uma boa dose de adrenalina. Foram cinco meses e meio de aventura pela Ásia: Índia, Nepal, China (incluindo Tibet) e o Laos. Uma conversa bem legal para algumas tardes de fotos e suco de laranja. Pude ver de perto o contraste da miséria na Índia, Nepal, e Laos com a Mega-metrópole Beijin na China. Tivemos o cuidado de jogar livros fora antes de entrar na China e também de não pronunciar “Dalai Lama” perto dos guardas chineses quando adentrávamos o Tibet. Mesmo já sabendo que se tratava de um regime comunista, ver de perto que a maior população do mundo tem toda a informação de livros e internet filtrada por alguns poucos líderes foi assustador e motivo para repensar a seriedade de ser um cidadão e representar um país e seus i...
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Ela estava num tobogã de doces. Rosa, feito de goma. E o tobogã era sustentado por pilares listrados de rosa e amarelo. A areia era Azul. E era de algodão.. era doce! Menina dizia... Azul, mãe! Azul !! De repente ela viu a Gangorra. Decidiu. Ia pra lá! Desceu com o vento no rosto, nem esperou colocar os pés no chão e já começou a correr em direção a gangorra! O Quinho já estava sentado, sorriu pra ela e ela sabia que nem precisava pedir. Era só montar que ele ia brincar com ela. Era tão bom! Ela esperava, quando descia, se encostava bem na pontinha da gangorra pra deixar o Quinho um pouco de castigo. Mas antes de ele se cansar ela já pegava impulso, fazia força nas pernas e saltava e subia... lá no céu. E eles iam subindo... e descendo, e o vento no rosto, e eles sorriam.
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Era uma dessas pocilgas com prostitutas velhas e no subterrâneo de uma sapataria. Lá, minha Flor. Tocava Blues! O único lugar nesta cidade onde existia o verdadeiro Blues. Lá, os músicos eram verdadeiros alcoólatras. Lá, as pessoas se deitavam no chão e escoravam na parede para não cair.. de bêbadas e entorpecidas de zuca, enquanto apreciavam a música. Lá, as pessoas eram tristes, mas lá e somente lá, essas pessoas dançavam. Lá elas podiam revidar toda a dor da vida. Elas tinham a noite como refúgio. A noite esconde os defeitos do ser, Amada. Lá, as pessoas não tinham mais vergonha dos seus vícios. De seus desejos sexuais exagerados, de roubar, de mentir, de bater na mãe. Lá, podiam zombar da vida. Lá não importava. Por isto, Princesa. Te digo, teu lugar é aqui, sentada no meu pau.